Justificativa:
O trabalho desenvolvido pela entidade tem como referência os dispositivos legais vigentes no país, ou seja, pauta-se na LOAS, ECA e Constituição Federal. Tem como pano de fundo a atual conjuntura econômica-política-social que vivenciamos cotidianamente, na qual é evidente a necessidade de esforços conjuntos para minimizarmos as conseqüências.
A questão social assume novas configurações e expressões entre as quais destacamos a insegurança e vulnerabilidade do trabalho e a penalização dos trabalhadores, o desemprego, o achatamento salarial, o aumento da exploração do trabalho feminino e infantil, a desregulamentação geral dos mercados. Vivenciamos cotidianamente com situações emergenciais frente às questões ligadas a saúde, a violência, educação, droga, o trabalho da criança e adolescente, a moradia na rua ou da casa precária e insalubre, a alimentação insuficiente, a ignorância, a fadiga, o envelhecimento sem recursos.
Imprimir às Políticas Sociais Públicas e/ou privadas, caráter de universalidade de direitos de cidadania exige, portanto, reordenamento e articulação entre os diferentes sujeitos sociais.
Trazendo este contexto para o município de Sumaré, verificamos que é formado por uma população segundo o censo de 2000, em 196.723 habitantes (hoje estima em 240.000 habitantes)
Segundo os dados do mapa da Fome - IPEA - o município de Sumaré encontra-se na região homogênea 1 (um). Veja os dados
População Economicamente Ativa - IPEA:
- Até meio salário mínimo 1,60%
- De meio a 1 salário mínimo 3,55%
- De 1 a 2 salários mínimos 12,38%
- Sem rendimentos 4,09%
- Desempregados 42,12%
- Pobreza Absoluta 30%
- Abaixo da linha da pobreza 36,97%
Dados retirados do Plano Plurianual de Assistência Social de Sumaré 2002/2005.
De acordo com o Atlas de Exclusão Social (2002), Sumaré está classificada no 1124º Posição no "Ranking" a partir da Melhor Situação Social, apresentando o Índice de Exclusão Social 0,521.
O município está inserido na Região Metropolitana de Campinas, sendo que vêm acumulando nos últimos anos problemas no mesmo contexto metropolitano. Cortam a sua territorialidade duas rodovias, a Via Anhanguera e a Bandeirantes. Se para muitos são Rodovias que levam e trazem todo o tipo de produtos que fortalecem a economia do Estado, para o Município, na realidade, trazem avanços e problemas. Essas vias cortam e dividem bairros, funcionando muitas vezes apenas como uma avenida de acesso, trazendo no seu bojo todos os problemas comuns a este contexto, ou seja, prostituição, rota de tráfico e roubo de cargas.
Novas empresas se instalam e com isto a promessa de abertura de novos postos de trabalho, que na maioria das vezes, absorvem apenas a mão de obra especializada, não tendo espaço para a grande maioria de nossa população, que não possuem os requisitos básicos para esta inserção. Com toda esta caracterização explode a violência e todas as suas explorações e mazelas.
Temos ainda outro agravante, pois muitas das nossas famílias são chefiadas por mulheres, as quais desenvolvem trabalhos esporádicos, com renda insuficiente para sua manutenção e de seus filhos, ocasionando a inserção precoce dos filhos no mercado de trabalho informal e evasão escolar. Com isto caracteriza-se a exploração da mão de obra infantil, sendo que em muitos casos a permanência nas ruas por longos períodos, traz o aprendizado de novas estratégias de sobrevivência como alternativa de vida, quando ficam expostos a todo tipo de violência e opressão.
A infindável problemática econômica traz conseqüências de desestruturação, hostilidade, violência, drogas/álcool, maus tratos de crianças, adolescentes, mulheres, idosos e relacionamentos familiares adversos. Com isto assistimos a falta de diálogo diante de uma família cada vez mais desunida, destituída do acesso a bens, serviços e riquezas, abandonadas pela desinformação, alienação, isolamento, características da nossa sociedade.
Neste contexto, acreditamos que para conseguirmos resultados positivos frente ao trabalho desenvolvido com criança, adolescente/jovens é necessário valorizar a família, como Núcleo Básico Estrutural, onde tudo é formado e tudo acontece; valorizando a convivência fundada no respeito, na ética e nas ações que constituam as pessoas como pertencentes a um meio social, norteado pela justiça, procurando resgatar à cidadania inerente a todo ser humano, independente da sua posição econômica-política-social. Para evitar-se o abandono das nossas crianças e adolescentes é necessário não abandonar suas famílias, fortalecendo seus laços, capacidades e criatividade na elaboração de saídas, sendo que mesmo fragilizadas, possam tornar-se capazes de assumir sua função de provedora e formadora do seu futuro.
Frente a essa realidade espera-se que este Projeto venha capacitar pessoas incentivando-as a constituírem-se em cooperativas, associações organizado-se em redes de colaboração solidária, melhorando a qualidade de vida e possibilitando o aumento da renda familiar.
A noção de economia solidária abarca diversas práticas e não há um pensamento único sobre o seu significado. Ela está associada a ações de consumo, comercialização, produção e serviços em que se defende, em graus variados, entre outros aspectos, a participação coletiva, autogestão, democracia, igualitarismo, cooperação e intercooperação, auto-sustentação, a promoção do desenvolvimento humano, responsabilidade social e a preservação do equilíbrio dos ecossistemas.
O Projeto "Empreendendo Talentos" se instrumentaliza através do combate à pobreza, promovendo a erradicação da exclusão social, contemplando processos que oportunizam às comunidades envolvidas, o acesso a cidadania, gerando autonomia para a efetiva participação social.
Objetivo Geral:
Capacitar e aprimorar conhecimentos nas várias técnicas artesanais, para gerar rendas à população em situação de risco, do município de Sumaré, possibilitando a organização em redes de economia solidária.
Objetivos Específicos:
- Fortalecer a importância dos papéis e funções do adulto enquanto provedor da família;
- Promover a interação entre as famílias participantes do projeto, possibilitando espaço social de exercício da vivência coletiva;
- Propiciar oficinas de artesanatos em parcerias com outros organismos sociais, como meio de geração de renda e melhoria da qualidade de vida, objetivando posteriormente inserção em Cooperativa de Artesanato;
- Manter bazar permanente para comercialização dos produtos confeccionados nas oficinas;
- Articular ações conjuntas com órgãos responsáveis pelas políticas públicas existentes no município, como por exemplo, a educação, saúde, habitação, Delegacia da Mulher, Ordem dos Advogados, Judiciário, entre outros; visando o desenvolvimento de palestras educativas, de acordo com a solicitação e demanda apresentada;
- Estabelecer parcerias e ações conjuntas com organizações governamentais e não governamentais para efetivação e funcionamento deste projeto;
- Criar um espaço alternativo de lazer e troca de experiências entre estas famílias.
Público Alvo:
Famílias cujos filhos participam nos projetos desenvolvidos pela SHD;
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