O Grupo Atiara, realizou no dia 16 de Abril, no pátio da SHD, a hora do conto em comemoração ao dia do índio. As apresentações foram realizadas no período matutino e vespertino, para um público composto por crianças, adolescentes e adultos,
totalizando 80 pessoas.
A atividade se iniciou com a leitura do texto “Sou índio e tenho orgulho de ser índio”, extraído do livro Guia de Rituais das Deusas Brasileiras, por Mavesper Cy Ceridwen. O clima indígena foi garantido pela trilha sonora do CD Mande Arandu Pyguá – Memória Viva Guarani, que
contém registros de quatro modalidades da música tradicional Guarani. No cenário estavam expostos instrumentos produzidos na Amazônia e Peru,
utilizados por tribos indígenas em danças e caça.
A grande expectativa e a doçura do momento foram garantidas pelas histórias: Atiara, Moça lua e Cinderela indígena.
Contato: artes@shd.org.br
Coordenadora: Aline Ongaro Monteiro de Barros.
SOU ÍNDIO E TENHO ORGULHO DE SER ÍNDIO
Eu nasci índio, e quero morrer sendo índio.
Eu sou índio, porque sei dançar o ritual do awê.
Eu sou índio, porque sei contar a história do meu povo.
Eu sou índio, porque nasci na aldeia.
Eu sou índio, porque o meu sistema de viver, de pensar, de trabalhar e de olhar o mundo é diferente do homem branco.
Eu sou índio, porque sempre penso o bem para meu povo e todas as nações indígenas.
Eu sou índio, Pataxó, sou brasileiro, sou caçador, pescador, agricultor, artesão e poeta.
Enfim, sou um lutador que sempre procura a paz.
Sou índio, porque sou unido com meus parentes e todos aqueles que se aproximam de mim.
Sou índio, e tenho orgulho de ser índio.
Eu nasci índio, e quero morrer índio.
Sou índio na piso terra com carinho.
Piso a onde não tem espinhos, conheço as pedras do meu caminho.
Quem sou?
Sou um ser Natureza.
Para defender meu povo, transformo-me em: pedra, fogo, trovão, tempestade, montanha bem alta, espinhos de tucum, rio e oceano, peixe nadador, flecha certeira que mata sem dor.
Por favor, não vá embora, não se espante de mim, porque vivo em todos os lugares desta Natureza sem fim.
(O povo pataxó e suas histórias. Coletânea de histórias de professores indígenas pataxó. Angtchichay, Arariby Jassanã Manguahã e Kanátyo, 2º ed., São Paulo, Global, 1999).
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